Sagrada Família

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segunda-feira, 7 de março de 2011

O AMOR PAI

O moço levantou-se e foi ao encontro de seu pai. E quando o filho estava voltando, de longe o pai o reconheceu na estrada. O velho pai encheu-se de compaixão. Correu a encontro de seu filho, abraçou-o e o beijou.(Lc 15, 20)

O homem, mesmo sendo pecador, mesmo com todas as suas fraquezas é chamado a receber a benção do Pai e assim ser portador dela, diz Paulo a comunidade de Efésios. (Ef 1, 3-4)

A benção que recebemos do Pai é o próprio CRISTO; Somos portadores desta benção através do anuncio da palavra, do Espírito Santo, do acolher e fazer a vontade de Deus e através de nosso testemunho de vida em Deus.

Somente através do amor é que encontramos o verdadeiro caminho que conduz a vida eterna. Pois o amor não nos pede nada que seja impossível, ele nos pede apenas que retornemos o caminho e fiquemos em pé.

Mas para descobrirmos o caminho é necessário fazer a vontade de Deus; mas como descobrir a vontade de Deus?

Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. (Dt 6, 4-5)

Para descobrirmos o caminha que nos leva ao Pai, precisamos aprender a “escutar”, ouve, ó Israel, nos diz a introdução do primeiro mandamento. Quem não sabe ouvir, não é capaz de compreender o que lhe é proposto, não consegue valorizar o que lhe é pedido muito menos enxergar a profundidade do que lhe é comunicado.

E por não colocarmos em pratica este simples gesto de ouvir, não compreendemos a verdade que Deus nos fala.

Não ouvindo verdadeiramente o Senhor, não somos capazes de experimentar e vivenciar o amor do Pai, afastando-nos, assim, da verdadeira fonte de água viva; e é por desconhecermos este Deus, que acabamos saciando-nos da água de qualquer poço. [...] Eles me abandonaram, a mim, fonte de água viva, para cavar para si cisternas, cisternas furadas, que não podem conter água. (Jr 2, 13)

Em fronte ao poço de Jacó Jesus diz a Samaritana: Todo aquele que beber da água deste poço terá sede novamente. Mas aquele que beber da água que eu lhe der, jamais voltará a ter sede. Porque esta água se transformará em fonte de vida eterna. (Jô 4, 13-14)

É por estarmos cegos da verdade de Deus, perambulamos pelas estradas buscando por salvadores e não pelo salvador, por não estarmos no verdadeiro poço, na verdadeira luz que não somos capazes de distinguir o que há atrás da porta estreita.

A porta e a estrada que conduzem a vida eterna, são estreitas e exigem sacrifícios. Por isso, poucos são os que querem entrar e andar por essa estrada. No entanto, é larga a porta e espaçosa a estrada que conduz à perdição. E são muitos os que entram por essa porta e seguem por essa estrada. (Mt 7, 13-14)

Portanto, se não colocarmos em prática o Dom de ouvir, somos incapazes de aceitar e cumprir os desígnios do Pai, entregando-se facilmente aos vícios do mundo.

Só experimenta a bondade, misericórdia e o poder infinito de Deus, quem é capaz de ouvir a única verdade, Jesus; e hoje o mundo sofre as conseqüências por não escutar as palavras do Salvador, assim como outrora sofrera o rei Nabucodonosor (Dn 4, 28-30b), que tudo perdera por também não reconhecer que até mesmo sobre o reino dos homens é o Altíssimo quem domina.

Ai se soubéssemos que o próprio Deus vive em nós e a luz do Espírito Santo nos leva ao encontro do amor. Somente tu Senhor nos conhece, pois tu mesmo nos criastes.

Então Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou vivente. (Gn 2, 7)

“Tu me julgas, senhor, porque nenhum dos homens conhece o que há no homem a não ser o espírito do homem que nele está. Há, contudo, no homem algo que nem o próprio espírito do homem, que nele está, conhece. Tu, porém, senhor, conheces tudo dele, pois tu o fizestes” (Livro das confissões, de Santo Agostinho, séc. V)(Liturgia das horas, 2ª leitura do ofício das leituras da 8ª semana do T.C., de terça-feira).

Com isso, podemos afirmar que mesmo diante de tantas falhas e pecados, todo aquele que crer e confiar no amor do Pai, põe-se a caminho do brilho da luz, “pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre o justo e sobre os injustos. (Mt 5, 45).

Concluamos esta reflexão reconhecendo que para nós homens é “impossível compreender a dimensão do amor do Pai, pois ele não nos questiona, não nos impõe nenhuma condição, não analisa se merecemos ou não seu amor. Ele apenas nos ama; e ama a cada um de nós pessoalmente”.

Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. (Gn 1, 27)

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